Casa de Acolhimento Residencial

Os pais ou representantes legais podem, por ação ou omissão, deixar de ter o papel protetor em relação aos seus filhos por falta de recursos, quer económicos e socioculturais, quer por défices pessoais e emocionais, que lhes permita corresponder às necessidades e expetativas destes.

Neste enquadramento, compete às entidades em matéria de infância e juventude promover medidas de promoção e proteção necessárias para garantir o desenvolvimento adequado das crianças e otimizar recursos, bem como, implicar todos os agentes sociais na promoção do fortalecimento do papel da família, envolvendo a mesma neste processo de mudança através de uma decisão partilhada.

Nos casos mais graves, o acolhimento institucional constitui uma medida de proteção, no qual se insere a intervenção na Casa da Criança de Tires, com vista ao acolhimento de crianças filhas de reclusas do Estabelecimento Prisional de Tires, caracterizando-se, essencialmente, por garantir o acolhimento imediato e absolutamente transitório das crianças que se encontram em situação vulnerável.

O acolhimento institucional implica um forte impacto emocional pelas profundas modificações no ambiente de vida, com repercussões ao nível da saúde física e mental destas crianças.

Nesta casa, cada criança irá encontrar um espaço físico e humanamente acolhedor, bonito e feliz, que contribua para minimizar o impacto do afastamento do seu meio natural de vida e/ou da família biológica e reparar as recidivâncias que decorrem da exposição às disfuncionalidades das suas famílias, prevendo-se a sua reabilitação, formação e desenvolvimento, no âmbito de uma abordagem integrada e multidimensional.

Perante sentimentos ambíguos e ambivalentes, inerentes ao acolhimento, pretende-se que estas crianças consigam inverter a tendência destrutiva do seu percurso de vida, dando-lhes modelos alternativos, de modo a que consigam ultrapassar os obstáculos emergentes da sociedade onde estão inseridos.

Procura-se, ainda, que o processo de gestão da perda, do sofrimento e da sensação de injustiça, subsequentes à separação das suas referências de origem das suas figuras de referência seja o menos doloroso possível, respondendo aos anseios e expectativas de cada uma.

Desta forma a dinâmica da Casa da Criança prevê um encontro entre os afetos e um processo de securização, de maneira a que ambos desenvolvam em cada criança a resiliência necessária para superar as vicissitudes da vida, e a assertividade e as competências necessárias para uma cidadania ativa.

É um processo que se observa trabalhoso, complexo, multifatorial e oscilante.