Acolhimento com Intencionalidade Terapêutica

Mesmo o comportamento mais perturbado tem uma certa lógica, se puder ser
visto da perspetiva da criança. – Bruno Bettelheim

Crianças Frozen: numa instituição terapêutica estas crianças apresentam um quadro curiosamente contraditório. Por um lado, conseguem ser bastante sedutoras, conseguindo muitas vezes o que querem, são extremamente simpáticas, afetuosas e parecem fazer rapidamente fazer um bom contacto. Não se mostram tímidas, nem ansiosas numa entrevista nem na vivência quotidiana; sãogeralmente saudáveis, limpas, arrumadas e organizadas. São frequentemente generosas e gentis com crianças mais jovens, especialmente uma criança em particular a quem protegem ou
ataca. Por outro lado, e num contraste impressionante, podem tornar-se ferozmente hostis especialmente para o adulto com quem tenham sido simpáticas. Passam rapidamente, e sem razão aparente, por raivas súbitas, de pânico, em que batem e destroem tudo à sua volta (podem ser necessários três adultos para controlar uma criança frozen num destes estados de agitação). (Dockar-Drysdale, 1993, pp. 19)

O Ambiente com Intencionalidade Terapêutica

O contexto relacional em que as crianças estão envolvidas é visto como ferramenta terapêutica indispensável para uma mudança interiorizada e sustentada. A vivência diária na Casa levará a uma reaprendizagem das relações sociais.

Neste sentido, a eficácia do processo depende em grande medida das oportunidades que a criança encontrará para estabelecer novas vinculações seguras, bem como da resposta positiva e construtiva para a gestão dos conflitos.

Por conseguinte a nossa cultura com intencionalidade terapêutica é centrada nas necessidades e características emocionais das crianças, percebendo que os comportamentos que podem parecer desadequados ou socialmente incorretos, podem ter outros significados para além do evidente: a mudança acontece na resposta a essas necessidades menos evidentes.

”Um segredo nem sempre é falado, pode ser um sorriso, uma lágrima, um grito, um abraço… Nesta casa todos os dias aprendemos mais, vivemos mais e cada criança é uma história por contar. Nessa história todos temos um papel: ajudar a crescer, sarar feridas, preparar para o futuro, sorrir nas conquistas e ser âncora nas tristezas. No final do dia, no conforto do nosso lar, o nosso pensamento continua lá, porque no fim de contas as crianças não vivem apenas na Casa da Criança de Tires mas também em nós!” Renata Coelho, Psicóloga Casa da Criança de Tires

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