Casa da Criança de Tires – Casa de Acolhimento Residencial

Que avaliação, que resultados?

Os dados diziam que existia um número excessivo de crianças em acolhimento residencial pelo que, acima de tudo, importou minimizar este número, pois Portugal não podia estar na cauda dos restantes países europeus, no que respeita à promoção dos direitos e proteção das crianças. Por conseguinte, a solução passou por apostar em programas de intervenção familiar que, com todos os recursos disponíveis, intervieram no sentido de, a todo o custo, prevenir a residencialização de crianças.

Em 2017 pudemos congratularmo-nos. Na última década observou-se um decréscimo exponencial de acolhimento de crianças e jovens no escalão etário entre 0 e os 14, em função do aumento e da melhoria do acompanhamento familiar que antecede o acolhimento. Curiosamente, registou-se, também, um acréscimo no acolhimento de jovens entre os 15 e os 18 anos… Neste contexto, urge que, hoje, as instituições se especializem para acolher estes jovens com problemas de saúde mental, comportamentos desviantes, consumo de estupefacientes, exposição a situação de perigo e que se criem mais apartamentos de autonomização e mais unidades de saúde mental.

Parece-nos que este é o momento para, mais que hastear bandeiras do sucesso e ponderar soluções para novos problemas, centrarmo-nos em, efetivamente, analisar os dados que se nos apresentam, que são o reflexo de que, na última década, algo não correu tão bem com as soluções apresentadas no passado. Os jovens que chegam hoje ao Acolhimento Residencial não nasceram de geração espontânea e atrevemo-nos a dizer que são provenientes das famílias que foram alvo de intervenção, durante anos. Muitos chegam com um historial de várias experiências de acolhimento, porque afinal as medidas de acolhimento em meio natural de vida não tiveram o sucesso desejado.

Seria ótimo que a máquina não estivesse oleada para fazer emergir novas respostas mas sim para polir, supervisionar e fiscalizar as respostas existentes. Podemos só parar e avaliar antes de fazer emergir respostas/soluções para problemas que decorrem das respostas/soluções que surgiram no passado? E neste processo de avaliação podemos mais que elencar dados, analisá-los? As crianças agradecem. E a sociedade também.

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