Casa da Criança de Tires – Casa de Acolhimento Residencial

Visitar as mães no Estabelecimento Prisional de Tires – A hora da visita…

É tão bom ser pequenino,
Ter pai, ter mãe, ter avós,

E ter espe
rança no destino
E ter quem goste de nós.

Ver tudo com alegria,
Sem delongas, sem demora,
Ver a vida numa hora
a eternidade num dia
Ter na mente a fantasia
De um bem que ninguém supôs,
Ter crença, sonhar a sós,

Com
a grandeza deste mundo
E, para bem mais profundo,
Ter pai, ter mãe, ter avós.

ouvíamos no fado Ser pequenino e sublinhava-se E, para bem mais profundo, ter pai, ter mãe, ter avós mas nem sempre pode ser assim. Existem obstáculos que separam filhos de mães, ou,  por outras palavras, existem percursos de vida dos adultos que assim o determinam. Da janela do corredor dos quartos da Casa da Criança é possível observar a Casa das Mães do Estabelecimento Prisional de Tires, tão perto assim e tão longe na verdade, onde as crianças sabem estar as suas mães. Sabem que ali estão, num tempo que parece eterno. Sabem que têm que esperar, e enquanto esperam visitam as suas mães, duas vezes por semana, em horas que parecem minutos, que passam a voar deixando saudades mesmo antes de acabar. As visitas são momentos de ligação, de ternura e de conforto. São sempre fugazes, num final que se espera difícil “Mãe, não chores, vai passar” B. 8 anos. E lembrando um verso da canção “E, num destino sem esperança, ter esperança no destino.” repetem-se semanalmente as visitas, sempre com a esperança de que um dia (o mais breve possível) o momento de encontro não seja rodeado de portas e grades, de guardas e reclusas, de dor e saudade. “

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