Casa da Criança de Tires – Casa de Acolhimento Residencial

No que diz respeito às crianças que são acolhidas em instituições…

Estudos apontam para a necessidade de instar o governo no sentido de tomar medidas que privilegiem o acolhimento familiar, para crianças menores de 6 anos. Em Portugal ainda existe um longo percurso a percorrer para que essa resposta seja uma realidade, como tal o acolhimento residencial continua a ser a alternativa que protege as crianças das inúmeras situações de perigo a que são sujeitas no seio das suas famílias.

Importa, portanto, que esta tipologia de resposta promova a efetiva proteção e promoção dos direitos das crianças assumindo um compromisso que vá para além de dar de comer, manter os cuidados de higiene e dar um tecto.

É nosso entender que a ausência de recursos financeiros para fazer face às exigências de um acolhimento com qualidade, a falta de pessoal qualificado ou a ausência de supervisão não podem constituir-se como justificação para a inexistência de sentido de presença, de espírito de família ou de estabelecimento de vínculos afetivos salutares com pessoas de referência, requisitos essenciais para um acolhimento com intencionalidade terapêutica.

Sabemos, por experiência própria, que é possível ter um acolhimento onde as relações afetivas são significativas, a comunicação afetiva, o sucesso escolar um dever, o envolvimento da família de origem e a integração na comunidade, através das mais variadas atividades, uma realidade, a par de toda a reabilitação física e psicológica adstritas.

É através do trabalho em rede e do envolvimento de parceiros que conseguimos atividades extra-curriculares diversificadas, que temos acompanhamento escolar diário efetuado por voluntários, acesso a terapias diferenciadoras, que dinamizamos atividades e ações que potenciam a inclusão social, desenvolvendo competências pessoais e sociais que lhes permitirão fazer boas escolhas no futuro.

Acreditamos no potencial de cada criança e é exatamente pelos seus talentos que começamos, porque queremos chegar ao “coração” antes de chegar à “cabeça”, sendo que mais que acolher estamos a educar e a formar crianças para que cresçam a reconhecer os seus deveres e direitos.

Por conseguinte, ainda que algumas instituições estejam a fazer o seu percurso no sentido de uma filosofia de intervenção que dê resposta à efetiva necessidade das crianças que acolhem, importa que haja um sentido de responsabilidade quando se generaliza a informação de que as instituições não têm capacidade para desenvolver uma intervenção qualificada e simultaneamente afetiva.

Estamos longe de fazer uma efetiva reabilitação das crianças quando na escolha da resposta que melhor se adequa à especificidade de cada criança atendemos a critérios como o intervalo da faixa etária, a inexistência de necessidades educativas especiais ou a ausência de problemas de saúde… Para estas crianças o acolhimento residencial já serve!

Teremos a certeza de que as respostas são efetivamente ponderadas quando um adolescente, uma criança menor de 6 anos com problemas de saúde mental ou uma criança com algum tipo de deficiência também tiver direito a uma família de acolhimento, com todos os benefícios que daí decorrem. Na tomada de decisão importa de facto que o foco seja a criança e não os factores de risco que poderão obstar o sucesso de uma resposta.

Deixemos cair a bandeira de que todas as instituições funcionam mal para fazer validar a necessidade do acolhimento familiar! O Acolhimento Familiar vale por si mesmo!

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