Casa da Criança de Tires – Casa de Acolhimento Residencial

Na esperança de um futuro risonho – Intervenção em meio prisional

O que diferencia a Casa da Criança de Tires das demais Casas de Acolhimento Residencial é o facto de sermos pioneiros no acolhimento de crianças filhas de reclusas, o que pressupõe uma intervenção especializada que incide, essencialmente, sob a tema da maternidade atrás das grades.

Num primeiro contato é evidente o sofrimento causado pela ambiguidade entre a manutenção do filho num ambiente mais hostil ao desenvolvimento salutar de uma criança e questionamento do seu papel enquanto mãe, assumindo que outras pessoas serão responsáveis pela salvaguarda dos seus cuidados mais básicos. Gera-se uma angústia… a de ser substituída no seu papel de mãe. E seguem-se as dúvidas, as inseguranças, a instabilidade, um nó na garganta que somente se desvanece face à vontade do filho de querer ficar com estas pessoas estranhas e não querer ser fechado à luz do dia por um crime que não cometeu. Há uma consciência clara da privação de liberdade, do não querer ser fechado, de querer continuar a brincar com os amigos.

É neste enquadramento que primamos por estabelecer uma relação de proximidade com vista a desmistificar pré-conceitos que existam relativamente aos objetivos e dinâmica de uma Casa de Acolhimento, esclarecendo que a sua função parental irá agora ser partilhada mas nunca substituída, deixando claro que a sua condição de reclusão não determina a adoção do seu filho, o seu maior receio. É no âmbito desta reflexão participada que chegamos a um consenso: é  nosso objetivo comum a manutenção da relação mãe-filho e fortalecimento do o vínculo afetivo.

Investe-se na criação de uma relação de confiança que se conquista com base na presença, na empatia, no respeito e na valorização pessoal de cada mulher enquanto ser humano completo e sujeito de direitos e deveres, mas que também é mãe e como tal deve, na medida do possível, empenhar-se na tarefa de bem cuidar, de educar, de zelar e potenciar o crescimento saudável dos filhos, ainda que a sua voz chegue através de terceiros. Há um trabalhar da culpa que está associada à condição a que sujeitaram o filho que é mascarada com doces e muito colinho que faz com que estas crianças consigam crescer seguras e emocionalmente estáveis. São meninos que têm colo de mãe. E todos sabemos: é o melhor colo do mundo!

E aquando da Liberdade Condicional conciliam-se desejos de mães e filhos, a esperada e tão desejada reunificação familiar, um começar de novo que anda de mãos dadas com a esperança de um futuro mais risonho.

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